Como sempre faço diariamente, fui tomar meu banho matinal antes de ir para o trabalho. Abri o chuveiro, molhei o corpo, me ensaboei e... uma aranha na parede do banheiro! Tudo bem que nem todo mundo sente medo de aranha, mas em se tratando deste narrador, a aracnofobia convive com o medo de agulhas (este parece típico dos homens, mas nem todos assumem). Pois bem, a danada estava lá me olhando, como se estivesse apreciando meu banho. Não consegui continuar o que fazia. Peguei o chinelo e... Plaft! Na mosca! Quer dizer, na aranha. Talvez você esteja imaginando que espécie de aranha seria: uma viúva negra, uma armadeira, uma caranguejeira. Sinto informar que o medo não escolhe tamanho: era uma pequena aranhinha doméstica.
Atire a primeira pedra aquele que nunca sentiu medo, essa pequena palavra que traduz um sentimento tão forte que é capaz de alterar os batimentos cardíacos de qualquer Shwarzennegger. Alguns chegam a dizer que seu único medo, é um dia ter medo de alguma coisa (devo rir?). O fato é que todos nós sentimos algum tipo de fobia, seja relacionada à altura, à escuridão, às agulhas, aranhas, etc. Mas talvez o maior medo do homem seja o medo da morte. Morrer é bom? Ninguém sabe, mas então porque temer? Talvez a angústia de não saber o que nos aguarda explique o temor.
A angústia e a ansiedade criadas ante a uma situação crítica talvez sejam a chave da resolução do problema. Outro dia me dei conta de que não temo mais a morte, e cheguei à conclusão de que isto só ocorreu depois que passei a acreditar que de alguma forma esta vida é só uma etapa de nossa existência. Teoria com retoques religiosos? Pode ser, mas o fato é que quando me libertei de algumas pressões vindas da ânsia de saber o que vem depois, deixei de me preocupar com a falta que esta vida me faria.
E como esquecer os temores do intangível? Os medos da perda, do sofrimento, da culpa, entre outros. O medo é inerente ao ser humano, bem como sua antítese: a coragem. É ela quem nos faz erguer os olhos, respirar fundo e encará-lo. A coragem é quem nos mostra que nossos medos são puramente superficiais, embora necessários. Sem medo não existe coragem, e quem nunca sentiu medo, nunca foi corajoso. Mas e quanto à bendita aranha? Talvez enfrentá-la resolvesse o problema, mas não consegui. Tenho medo só de imaginá-la. Talvez algumas coisas devam ficar só no sentir, e não no pensar. Afinal de contas esse é um temor com o qual consigo sobreviver acomodadamente.
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